Tudo já foi pior - impacto ambientalpor Celaine RefoscoEsta disciplina no Curso de Criação e Desenvolvimento de Produtos vem justamente trazer à tona a responsabilidade que todos temos, como cidadãos e como profissionais, na relação de nossa sociedade com o meio ambiente. A aula ministrada por Julio Refosco, Eng. Florestal e ambientalista, ocorreu justamente no dia em que chegaram as novas cadeiras do Instituto Orbitato, fornecidas pela empresa Butzke (ver post específico) de Timbó, a primeira empresa brasileira a trabalhar com madeira certificada. Um prato cheio partir deste case para abordar as questões de certificação, políticas públicas e tantas outras. Foi uma das aulas com maior participação dos alunos. O assunto é premente e sensibiliza a todos.
Tudo tem um tempo, as coisas não acontecem do dia para a noite, ainda mais nas questões ambientais. Passamos milhares de anos explorando este planeta, considerando-o interminável, imaginando seus recursos inextinguíveis. A noção da finitude do planeta e de seus recursos é recente demais para que tenhamos soluções definitivas para todos os problemas já criados.
Um marco de transição na relação do design com o meio ambiente aconteceu em 1973 quando países árabes passaram a elevar o preço do petróleo forçando uma mudança no comportamento dos cidadãos, das empresas e instituições trazendo a questão finitude dos recursos. Além disso, a crise do petróleo trouxe a questão do centro e da periferia colocando os países árabes, periferia até então, no centro do mundo.
A questão do consumo crescente, incentivada como política, sobretudo entre os países ricos, se contrapõe frontalmente à noção de fim dos recursos, gerando inquietude crescente e também consciência de consumidores e produtos de bens de consumo. Julio abordou as questões de políticas públicas, os instrumentos de política e gestão ambiental como a certificação, o licenciamento ambiental e tantos outros, e o papel do designer nesta nova cena.
Neste cenário, uma das questões que foi muito discutida no Brasil na década de 1970, mas que ainda domina e que pode ser retomada no Brasil atual, diz respeito a crescimento, desenvolvimento e desenvolvimento sustentável. São noções diferentes. O crescimento não imagina que os recursos do planeta são finitos e atualmente escassos. O desenvolvimento já evolui, mas ainda apresenta problemas. A humanidade trabalha hoje mais com a noção de desenvolvimento sustentável que é mais orgânica e, apesar das controvérsias, nos permite discutir o avanço da civilização em direção a saciar nossas necessidades permitindo às gerações futuras a sua existência.
Mudanças de conceitos ocorrem em todas as áreas do conhecimento. A economia clássica, por exemplo, vem sendo questionada pela economia ecológica, pois não leva em conta uma série de restrições impostas pela natureza. Na economia clássica, por exemplo, os cenários consideram que a natureza pode prover uma quantidade infinita de recursos ao mesmo tempo em que imagina existir um lixão sem fundo. A economia ecológica, por outro lado procura desenvolver seus conceitos tomando por base as limitações impostas pelo ambiente natural.
O designer tem nas mãos a possibilidade de interferir neste problema através da busca de novas tecnologias. A tecnologia pode trazer soluções inovadoras, novos materiais, novos processos.
E de que forma o designer pode interferir? Afinal, o que cabe ao designer? Algumas das formas são:
· Uso de matérias não poluentes e de baixo consumo de energia
· O incentivo às mudanças de atitude de consumo
· Mudar a visão inerente ao consumo, de que o excesso é sempre uma vantagem
· Interferir na psicologia do desperdício, procurando inserir a filosofia dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar)
· Procurar maior eficiência de operação e facilidade de manutenção do produto
· Trabalhar o potencial de reutilização e reciclagem após o descarte dos produtos
· Trabalhar o ciclo de vida dos produtos. Segundo Rafael Cardoso Denis, “a visão de planejamento de ciclo de vida é especialmente importante do ponto de vista do designer, por se tratar de uma atividade que só pode ser realizada como parte do processo de produção e que se encaixa, portanto na busca de qualidade total intrínseca às filosofias mais recentes de gestão empresarial.”
As aulas no curso contaram com uma parte teórica sucedida por visitas a três lugares de reflexão: 1) Centro de Reciclagem da Prefeitura de Pomerode; 2)Uma área de deslizamento do evento de novembro de 2008; 3)O centrinho da cidade, buscando vestígios da relação de Pomerode com o meio ambiente.
O Centro de Reciclagem de Pomerode existe há cerca de um ano, é uma autarquia e surgiu naturalmente com a intenção de separação do lixo, e da redução da quantidade geral que é depositada no Aterro Sanitário de Timbó, destino do lixo de um consórcio de municípios da região. Wilhelm Zilz coordena o Centro que conta com cerca de 20 funcionários que atuam na coleta e separação e está subordinada a SAMAE. As 115 toneladas coletadas a cada mês no município de Pomerode são separadas nas 20 categorias comercializáveis:
Classificação do Lixo Reciclável
Papéis
1. Papelão
2. Papel misto
3. Embalagem longa vida
Plásticos
4. Plástico mole colorido
5. Plástico duro colorido
6. Plástico duro branco
7. Plástico duro natural
8. Plástico mole branco
9. Plásticos – copinhos PP
10. Plástico duro margarina
11. Pet
12. Pet azeite
Vidros
13. Cacos e litros
14. Vidros de conserva grandes
15. Vidros de conserva normal
16. Garrafão de vidro
Metal
17. Latas e sucatas bruta de ferro
18. Alumínios diversos (reciclado)
19. Alumínio (latinhas)
20. PVC
Na cena do deslizamento foi possível ver de perto algumas das conseqüências das chuvas de 2008, as feridas ainda abertas na terra. Foi possível também debater sobre suas causas. Ali o grupo discutiu sobre a ocupação do espaço, sobre os conflitos oriundos da necessidade de espaço do ser humano, a necessidade de alteração dos espaços, sua artificialização, a necessidade da manutenção de espaços naturais e outros assuntos.
Já no centro de Pomerode a idéia era continuar a discussão sobre o espaço e abranger a discussão sobre o uso dos recursos, tomando como exemplo os recursos hídricos, um bem de inestimável valor para a vida que vem sendo perdido pouco a pouco. Discutor também as políticas públicas em curso e a falta delas.
Mas neste quadro que pintamos tem lugar para coisas boas. Existem ótimas iniciativas em gestão ambiental. Existe gente pensando e querendo solução para diversos problemas.
Abaixo alguns links interessantes.
Sustainable Solution Design Association Dinamarca
http://www.youthxchange.net/main/danishecofashion.aspThe EU Flower
http://ec.europa.eu/environment/ecolabel/Interesse Nacional
http://www.interessenacional.com/Minhocasa
http://www.minhocasa.com/SOS Mata Atlântica
http://www.sosmatatlantica.org.br/CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem
http://www.cempre.org.br/FSC - Conselho Brasileiro de Manejo Florestal
http://www.fsc.org.br/A história das Coisas
http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E
Design for Envinment
http://www.pre.nl/ecodesign